Dever cumprido é fruto da ousadia de um velho militante das lutas democráticas e sociais do nosso Brasil, que entende que sem uma interação rápida, ágil, eficiente e livre com o que rola pelo mundo, a democracia é pífia.
A CONAE – Conferencia Nacional de Educação, teve sua fase
estadual no Rio de Janeiro nos últimos dias 27, 28 e 29 de novembro no colégio
Pedro II no bairro de São Cristóvão. Foi um evento extremamente cansativo, só
para se ter uma idéia, ficamos toda a sexta feira para aprovar o regimento
interno, os trabalhos na sexta encerrou-se às 19h 30m. Daí pra frente os
atrasos só foram aumentando, resultado, dos seis eixos que seriam discutidos:
1)Papel
do Estado na Garantia do Direito à Educação de Qualidade: Organização e Regulação
da Educação Nacional.
2)Qualidade
da Educação, Gestão Democrática e Avaliação.
3)Democratização
do Acesso e Permanência e Sucesso Escolar.
4)Formação
e Valorização dos Profissionais da Educação.
5) Financiamento da Educação e Controlo Social.
6)Justiça
Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade.
Nenhum eixo teve tempo de ver todas às emendas que vieram das Intermunicipais, e o mais grave o eixo seis, exatamente o que trata das discriminações
nem se quer teve o tempo que os outros eixos tiveram. A solução encontrada pela
comissão organizadora da fase estadual, foi provocar um outro encontro no dia
09/12, para que os inscrito no referido eixo, juntamente com os delegados
eleitos a fase nacional concluam os trabalhos do eixo, bem como concluam o que
faltou dos outros eixos.
Esse encontro será no SINPRO-Rio das 8H as 17h. O
SINPRO-Rio, fica na Rua Pedro Lessa, 35 – Cinelândia- Centro do Rio de Janeiro,
ponto de referencia atrás da Biblioteca Nacional.
DOS DELEGADOS A FASE
NACIONAL
Os últimos momentos da fase estadual foram às eleições dos
delegados para a nacional da CONAE. O estado do Rio de janeiro tem direito a
eleger 140 delegados desses 9 saíram da Intermunicipal de Itaperunaa que incluem além de Itaperuna as cidades de Bom
Jesus do Itabapoana, Itaocara, Laje do Muriaé, Miracema, Natividade,
Porciúncula, Santo Antonio de Pádua, São José de Ubá e de Varre Sai. Esse foi
sem dúvida alguma um grande feito, pois pelo número de delegados que nossa região
tinha não daríamos para eleger sequer um delegado, esse foi um grande trabalho
de construção do pessoal do SINPRO NNF. Foram eleitos:
de ITAPERUNA – os professores, Paulo Roberto Pereira Gomes, José Carlos
Maciel Alvarenga e o estudante Alan Budrim; de Laje do Muriaé o professor Robsom
Terra; de Natividade a vereadora e professora Dra Ivete Martins Bohreer Kabouk; de Porciúcula a
professora Ângela Maria Grippe; de Pádua o professor Jansem Cunha; de São José de Ubá o
secretário de educação professor José Cosme Andrade Lima e de Varre Sai a professora Maria Letícia Ramos de Oliveira.
A conferencia nacional se dará enre os dias 23 a 27/04/2010 em Brasília.
Uma peça publicitária do papel higiênico Neve, usa a imitação
da voz do Lula, anunciando a PAC da economia, na verdade a palavra é pack, que
siguinifica embalagem, fala da embalagem
econômica do papel higiênico Neve. Essa peça publicitária esta no ar desde
ontem em varias emissoras de rádio de todo o Brasil.
Na gravação, a “voz” de Lula diz que vai falar do pack “que vai trazer
mais economia para os brasileiros” e que vai chamar a ministra “que é a maior
responsável por esse sucesso”. “Ué, cadê a ministra?”, diz o “presidente”, que
é seguido por uma voz feminina que grita ao fundo: “Alfredooooo”, referindo-se
ao mordomo que sempre marcou as propagandas da marca de papel higiênico.
Rindo, o imitador do presidente prossegue: “vou aproveitar que a ministra
está em uma conferência com o Alfredo pra falar do Pack econômico Neve com 16
rolos. Nunca antes na história desse país o povo teve tanta maciez”.
A peça foi criada pela agencia DPZ, e nela o humorista Beto Hora imita
a voz do presidente. Homenagem
Para o diretor de criação da peça, Fernando Rodrigues, a propaganda é uma
espécie de homenagem ao presidente Lula. “Usar o Lula é um tributo à imensa
popularidade dele, ele é um cara extremamente popular, simpático. Nunca na
história desse país tivemos um presidente tão popular”, disse, por telefone ao
G1
“Estamos torcendo muito para Lula ter gostado. A gente imagina que não tenha
muito porque não gostar, porque ele é muito bem-humorado e a peça não tem nada
de desrespeitoso”, afirma o diretor.
Além de Rodrigues, a criação da peça é assinada em parceria pelo
diretor Diego Zaragoza e pelo redator Kleber Fonseca. Não tem jeito o sofrimento da oposição só vai aumentando. Só faltava essa
Como
dizia Wandré: “Que esperar não
é saber. Quem sabe faz a hora. Não espera acontecer”, como
velho militante e que aplaudiu e muito o poema musicado Pra Não Dizer Que Não
Falei Das Flores, e dele sofri muitas influências continuo com esse principio
ainda hoje e convoco meus companheiros professores da UNIG a caminharmos juntos
Pois “Caminhando e cantando, E seguindo a
canção. Somos todos iguais, Braços dados ou não, Nas
escolas, nas ruas, Campos,
construções, Caminhando e cantando, E seguindo a canção...”
Temos que seguir e construir juntos a nossa
utopia, não podemos permitir que pessoas, por mais bem intencionadas que sejam,
sonhe nossos sonhos nós também podemos “fazer
acontecer” já estamos atrasados não podemos acreditar “nas flores vencendo o canhão” vamos juntos buscar a saída, não dá
pra “viver sem razão”, temos que dar sentido a vida, aos sonhos é hora de
acordar.
O
poeta também disse: “Nas escolas, nas ruas Campos, construções Somos todos
soldados Armados ou não Caminhando e cantando E seguindo a canção Somos todos
iguais Braços dados ou não...” dessa lição só nos resta darmos os braços e
seguirmos juntos.
Hoje
não temos “A certeza na frente A história
na mão” mais podemos construí-la para seguirmos “Aprendendo e ensinando Uma nova lição...”.
Agora
é fazermos nossa parte o SINPRO tem hoje as 16h tenho audiência com o Ministério
Público do Trabalho em Campos, para tratar do débito com os professores da UNIG
CAMPUS V – Itaperuna.
Como estamos em assembléia permanente
estamos convocando todos os nossos professores para uma nova reunião na próxima
terça feira dia 1º de dezembro as 11h 30m, no salão de reunião do edifício POLICENTER
situado à Rua Tomaz Teixeira dos Santos, 98 no 5º piso.
O quadro da
UNIG - Universidade Iguaçu nunca foi tão grave, vivemos momentos de profunda
incerteza é informação pra lá conta-informação pra cá e não muda nada. A cúpula
(gerente acadêmico e coordenadores) daqui de Itaperuna, Campus V tenta se
articular para resistir ao máximo, mas cada dia o esforço é mais em vão.
O que me
causa maior estranheza nesse processo é a inércia dos professores, ou estão com
a mais absoluta capacidade de pensar; o que é plenamente justificável em
momentos muito difíceis, pois a depressão é eminente; ou estão com medo e aí eu
particularmente não sei de quê.Pois
estamos descendo perambeira abaixo e sem controle nenhum.
O SINPRO NNF
convocou uma assembléia para o dia 17/11 e a presença foi insignificante, 15
professores. Será que nossos companheiros, os professores vão deixar que os
“outros” decidam seus destinos sem ao menos colocar sua opinião.
Em dezembro
do ano passado eu estava visitando os professores da UNIG para comunicar-lhes
das vantagens do acordo judicial que acabávamos de fazer numa sala de
professores quase fui agredido por colegas insatisfeitos com aquele acordo,
posso entender o desabafo dos companheiros, naquele momento inicio de dezembro
se quer tinham recebido os salários de agosto, e é mais fácil esculhambar o
Sindicato e os sindicalistas de que apenas reclamar dos salários atrasados com
a Universidade, nossa relação é fraterna e temos muito mais capacidade de
passar por cima dos justos desabafos mesmo eles sendo direcionado nas pessoas
erradas. Aquele acordo permitiu que pela 1ª vez desde 2002 os professores da
Universidade recebessem um décimo terceiro em dia e mais salários em dia desde
o de novembro de 2008 até o de abril de 2009.
A partir de
maio/2009 a UNIG começa a perder o rumo novamente, salários voltam a atrasar e
chegamos em novembro com 3 salários em atraso só do ano de 2009. A gestão atual da
Universidade se esgota é preciso que entre em cena um terceiro agente; um
comprador, um sócio, um gestor profissional, uma empresa de capital para
injetar recursos na Universidade saneá-la e vende-la.
A gestão
profissional fracassou, em novembro de 2008 foi contratada uma empresa o ILAPE
- Instituto
Latino-Americano de Planejamento Educacional, mais a experiência
fracassou, pois, os Raunhetes queriam continuar mandar nos gestores como se
fossem seus empregados. Assim é claro que não funciona, em maio sai o ILAPE,
por discordar da ingerência dos Raunhetes na gestão da Universidade. Depois
surge um “Comprador Estrangeiro” o fato foi comemorado com fogos, rufos de
tambores, soar de trombetas e churrasco, nem passou uma semana de tanta festa o
“negocio” foi desfeito, voltamos a estaca zero, inicia-se um processo de novos
sonhos, pesadelos e devaneios.
No inicio da
semana, mais precisamente segunda feira dia 16/11/2009, surge um novo
interessado uma empresa de capital, o “negocio” é anunciado de forma cautelosa
sem o glamour e sem a ribalta do primeiro anuncio, um agente da empresa visitou
o Campus V na terça feira dia 17, daí até hoje o silencio é sepulcral.
A assembléia
do dia 17/11 foi transformada em assembléia permanente e nosso próximo encontro
será dia 24/11 terça feira às 11h 30m. vamos trabalhar para termos uma presença
mais significativa. É normal professores da UNIG, nos perguntarem o que o
sindicato esta fazendo? Agora eu devolverei a pergunta, o que você professor
esta fazendo? Se cochilar o cachimbo cai, já dizia minha vó, e isso nós não
vamos deixar acontecer, só temos uma sida, nos organizar. Essa é a palavra de
ordem ORGANIZAR-MOS.
No entanto, nesta quarta-feira (18), ao julgar o
mérito da ação, o desembargador Sergio Cavalieri, relator da ação, adotou
em seu voto os pareceres da Procuradoria Geral do Estado e da Procuradoria de
Justiça em favor da constitucionalidade da lei.
Por maioria de
votos, os desembargadores acompanharam a posição do relator, para quem a norma
aprovada pela Assembléia Legislativa não fere o princípio da igualdade.
Segundo Cavalieri, a "igualdade só pode ser
verificada entre pessoas que se encontram em situação semelhante". E
emendou: "Há grupos minoritários e hipossuficientes que precisam de
tratamento especial. Se assim não for, o princípio da isonomia vai ser uma
fantasia".
Tem coisa que nos deixa atônitos,
mais essa foi demais, dando uma passada de olho nas noticias da tarde me
deparei com essa barbárie, uma mulher condenada a morte a pedradas e uma platéia
de 200 pessoas assistindo a execução.
Eu fico a imaginar, como é viver
com um absurdo desse e ninguém se incomodar? Esse bárbaro crime ocorreu na
ultima terça feira dia 15/11/2009 perto da cidade de
Wajid na Somália. Um juiz de um
grupo militante islâmico afirmou que uma mulher foi apedrejada até a morte por
ter um relacionamento extraconjugal. O namorado dela recebeu cem chibatadas
pela mesma infração, segundo ele. O xeque Ibrahim Abdirahman, juiz do grupo
al-Shabab, afirmou que a vítima, de 20 anos, teve um caso com um homem solteiro
de 29 anos e deu à luz um bebê que já nasceu morto.
Esses bárbaros militantes controlam
boa parte do sul somali. Eles instituíram uma versão conservadora da lei
islâmica na região. Este foi pelo menos o quarto apedrejamento até a morte por
adultério na Somália no último ano. Foi a segunda vez que uma mulher foi morta
por esse motivo, no mesmo período.
Agora eu pergunto, até quando a
comunidade internacional vai ficar noticiando este tipo de barbárie sem se
manifestar? Isso não é possível. Alguém tem que agir, algo tem que ser feito. Confesso
que estou atônito e pergunto, o que podemos fazer?
Esse assunto é de interesse de todos
os democratas. Não podemos deixar que o poder executivo nacional se submeta,
aos devaneios do STF, comandado por um nazista, truculento Sr. Gilmar Mendes. Entendemos
que a Suprema Corte deveria ter uma postura independente e de defesa dos
direitos. Mais não é o que ocorre no Brasil, recentemente a mulher do
presidente dessa corte foi contratada para trabalhar no escritório do advogado do
banqueiro Daniel Dantas, isso é só mais um elo entre o Presidente do STF e o
banqueiro envolvido em toda sorte de corrupção.
Voltando ao que interessa postamos a
carta endereçada ao presidente Lula postada por Anita Leocádia Prestes, filha
de Olga Benário e Carlos Prestes.
Exmo. Sr. Presidente
da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Na qualidade de filha
de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha
nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás, sinto-me no dever de
subscrever a carta escrita pelo Sr. Carlos Lungarzo da
Anistia Internacional (em anexo), na certeza de que seu compromisso com a defesa
dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de
entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha
família.
Atenciosamente,
Anita Leocádia
Prestes
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
O Que Acontece
nas Prisões Italianas?
Carlos Alberto
Lungarzo
Anistia Internacional (USA)
MI
2152711
Aproveito para
agradecer a Susanna Marietti, da Sociedade Italiana Antígone, por seu assessoramento na
redação desta matéria.
Se Cesare Battisti
fosse finalmente extraditado, ele seria destinado, com certeza, a uma prisão de
alta segurança pelo resto de sua vida. A cínica condição colocada por alguns dos
juízes que votaram em favor da extradição, lembrando orgulhosamente que as
tradições brasileiras não permitem recolher um prisioneiro por mais de 30 anos,
será, para as autoridades italianas, algo menos que papel higiênico de baixa
qualidade. O ex ministro Mastella, o ministro La Russa e outros, já disseram aos
familiares de supostas vítimas do condenado que "aquele palhaço passará a vida
toda na cárcere"
Isto pode ser uma
questão puramente formal, porque, se tudo desse errado, na pior das
alternativas (que eu não ouso nem pensar neste momento), Battisti teria a
têmpera de não dar aos abutres daqui o prazer de entregá-lo vivo nem aos urubus
da lá o prazer de caçá-lo. De qualquer maneira, é importante que todos saibam
como são as condições de um preso na Itália atual.
Prisão
Perpétua
O nome ergástolo, que é dado na Itália à
punição por reclusão até o fim da vida, não foi adotado por acaso. É o mesmo
nome que usaram os medievais, quando a língua oficial da nobreza era o latim,
que por sua vez tirou esta palavra do grego: "ergástolo" quer dizer trabalho forçado, que era o castigo ao
qual estavam submetidos, até pouco tempo atrás, os presos por vida. Note-se que
na Itália é frequente usar nomes medievais e não modernos para os fatos
relativos à vida prisional: a própria prisão é chamada "galere" inclusive em
linguagem culta, não apenas como gíria, em homenagem aos tempos em que os presos
morriam remando nos barcos (galere) sob as chicotadas dos mestres. Este
homenagem à Idade Média nas prisões italianas poderia ser apenas um anacronismo
de linguagem, mas não é: pelo contrário, é um sintoma de que o sentimento em
relação com os internos é o mesmo, e de que as condições sob as quais vivem são
quase iguais. De fato, são um pouco menos horríveis porque um choque elétrico é
menos doloroso e mais reversível que um
esquartejamento.
Não é verdade que
a condena por vida repugne os sentimentos humanitários unicamente nos países mais avançados.
Inclusive sociedades com longa tradição de violência e intolerância têm abolido
esta macabra filha doentia da pena de morte. É verdade que países laicos
humanistas, com extremo liberalismo e naturalismo, como Noruega, a máxima pena
por qualquer crime não pode passar de 21 anos. No entanto, mesmo em estados que
foram muito diferentes, e praticaram até épocas recentes grandes genocídios,
como a Croácia, a Espanha e a Servia, os movimentos humanitários conseguiram
colocar as penas de prisão por baixo de um limite de 30 ou ainda 25 anos, como
em Portugal.
As autoridades
italianas costumam dizer que a prisão por vida é apenas "virtual", porque um
prisioneiro que tenha cumprido 26 anos de prisão com boa conduta pode ganhar a
liberdade. Mas, isso é falso. Existe uma eventualidade de que isso aconteça, mas
os próprios advogados de prisioneiros desconhecem casos concretos em que tenha
sido aplicado este benefício, e apenas podem dizer que ouviram falar. De maneira
nenhuma consiste numa regra, e segundo os boatos, aos duas ou três vezes em que
esta cláusula foi aplicada, foram necessários complexos trâmites e enormes
esperas, desde que, obviamente, os casos de liberação aos 26 anos tenham
realmente existido.
Por exemplo,
Antonino Marano, internado na Carcere dell'Ucciardone, em Palermo, Sicília, já
cumpriu 43 anos de prisão sem qualquer esperança de ver-se livre algum dia.
Casos que excedem os 30 anos são muito comuns, e estão relatados numa carta que
os condenados a prisão perpétua enviaram a Lula depois da outorga de refúgio a
Battisti.
O Regime 41
bis
Itália é muito
diferente do resto dos países formalmente democráticos no tratamento do crime
político. Em todos esses estados, o crime político (mesmo que sua definição
ofereça sempre algumas dificuldades sutis) é aquele que se faz por alguma
convicção e não por interesse pessoal e, portanto, é tratado com certa maior
gentileza que o crime comum. Até no Brasil, com sua tradição de barões,
militares e escravocratas, o crime político merece algum trato diferencial, como
se deriva da lei 9474/97, tão debatida nestes dias.
Na Itália é
exatamente o contrário. Os mafiosos, salvo quando perdem a amizade com as
autoridades, podem sair livres logo. Para um ladrão comum é mais difícil. Já um
preso político pode passar anos num sistema brutal pelo mesmo crime.
O regime 41 bis
tomou seu nome do artigo 41-bis do Ato
Administrativo Prisional354
(AAP354), que permite aplicar ao Ministro de Justiça ou do Interior uma
forma de disciplina prisional que deixaria maravilhado a Meister Eymerich, o
famoso inquisidor alemão do século 15. Antes de exagerar em nossa indignação,
pensemos, porém, que uma selvagem e sádica forma de prisão semelhante ao 41 bis
se aplica no Brasil com o nome de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que foi
calorosamente defendida pelo críptico advogado Thomas Bastos (o primeiro
ministro de justiça do presidente Lula) e resistiu todas as críticas de
organizações de Direitos Humanos.
Talvez seja justo
dizer que este RDD é mais parecido ao americano e, na prática, menos brutal que
o italiano, e se aplica com menos freqüência. O AAP354 foi publicado no 26 de
julho de 1975, uma época em que as Brigadas Vermelhas já eram ativas, mas ainda
não tinham cometido os atos tipicamente terroristas de 1978, já sobre uma nova
liderança da que se sempre se supus que tinha sido infiltrada pela
polícia.
Nessa data, a
primeira fase das BV estava quase acabada, pois seus principais núcleos tinham
sido desmontados, e ainda não tinha surgido Prima Linea (o que aconteceria no ano
seguinte), que foi novo pesadelo da repressão. O grande terrorismo (os stragi) produzido pelo operativo Gladio
já existia desde 1969. Não é necessário dizer que o 41-bis não visava punir este
tipo de terrorismo, pois seus realizadores não foram nem mesmo submetidos à
justiça comum, salvo, nos últimos anos, alguns poucos que foram judicialmente
poupados (salvo Vincenzo Vinciguerra, um terrorista fascista que assassinou três
policiais e ganhou o ódio da corporação).
Outro detalhe
interessante é que desde 1975 até 1992, um período relativamente longo, nunca as
autoridades italianas se interessaram por aplicar este sistema á Máfia. Só em
junho desse ano, quando foi assassinado o juiz Giovanni Falcone, o establishment entendeu que as sociedades
criminosas tinham saído de sua habitual função história de ser parte
complementar do sistema, e o sistema prisional do 41-bis foi aplicado a
eles.
Portanto, quando o
sistema foi inventado, em 1975, o objetivo não era combater nem a máfia, nem o
terrorismo fascista, mesmo que fosse parcialmente. O sistema estava dedicado
exclusivamente aos grupos revolucionários e aos movimentos sociais, que no ano
de 1974 tinham estado enormemente ativos.
É fácil descrever
o sistema 41-bis. Ele mantém o preso numa cela estreita, na qual pode ser sempre
vigiado desde fora, sem absolutamente nenhum direito de praticar qualquer forma
de recreação, atividade cultural, comunicar-se com outras pessoas mesmo por
carta, telefone ou qualquer outro meio. Seu único "privilégio" é receber
alimentação, atenção médica (se o prisioneiro morrer logo acaba a diversão de
juízes, policiais e carcereiros), e uma visita por mês que pode variar de 10 a
30 minutos, através de um intercomunicador e vários painéis de vidro, de um
familiar de primeiro grau.
Seria ridículo
dizer que este sistema e desumano, porque animal nenhum vive nessas condições. O
sistema é infrabiológico, um invento de mentes sádicas e maniqueístas que
reproduzem as torturas medievais.
Repúdio do 41 bis
Em Novembro de
2007, a Corte Européia de Direitos Humanos condenou a Itália pelas condições
brutais de prisão sob o sistema 41-bis. Este fato é notável, pois sendo Itália
principal base da NATO, os organismos europeus tendem a preservá-la de críticas.
Por unanimidade, a corte decidiu que o 41-bis violava os artigos 6 e 8 de
Convenção Européia dos DH (o direito a ter um julgamento limpo e o direito à
vida familiar e privada). Entretanto, a condenação não fala em torturas. Pela
data da manifestação da Corte é quase certo que Itália estaria executando ações
de tortura proxy em benefício da "guerra ao terror", e o organismo europeu evitou levantar problemas
políticos.
Entretanto, mesmo
nos Estados Unidos, onde o tratamento de imigrantes ilegais é muito duro, alguns
juízes das barras (equivalentes da OAB) de Califórnia e Texas se recusaram a
entregar a Itália criminosos de alta periculosidade. Uma juíza de Los Angeles,
que firma com a sigla D. D. Sitgraves, considerou que o tratamento do sistema
41-bis é uma forma sistemática e contínua de
tortura.
Tortura
Em tempos
recentes, a tortura tem sido associada com personalidades patológicas, e
especialmente com sujeitos afetados de transtornos sexuais. No documentário
experimental La Torture feito por um
grupo de jovens franceses em 1972, para resumir informações sobre os
torturadores de Argélia, se destaca este aspecto: O torturador é quase sempre
místico, identifica o sexo com a maldade, e sua forma mais comum de
relacionamento sexual é o estupro, pois isso lhe permite satisfazer-se fingindo
de está "punindo" a sexualidade. O fato encontrou confirmação em algumas poucas
pesquisas que puderam fazer-se com os torturadores da ditadura argentina. A
personalidade do moderno torturador é compatível com a do torturador
inquisitorial: seu maior objeto de ódio são pessoas fracas, mulheres, crianças,
gays e membros de outras
raças.
Apesar disso,
mesmo nos países católicos como França, Espanha e Portugal, a tortura tem sido
colocada no código penal. Na Europa, em diversas datas, a tortura foi
considerada crime específico (independente de lesões, morte ou estupro) nos
pequenos estados balcânicos, na Austria, Bélgica, Dinamarca, Estônia, Islândia,
Letônia, Eslovênia, Eslováquia, todos os países escandinavos, a totalidade do
Reino Unido, Holanda, Polônia, Alemanha, Suíça, Suécia, Hungria e Turquia.
Também nos pequenos estados como Luxemburg.
Itália, como todos
os países europeus assinou a convenção de Estrasburgo de 1987 sobre prevenção da
tortura. Entretanto, ao ser um dos poucos países da região que não a considera
crime, punir diretamente os torturadores não é
possível.
Em 2008, os
lugares onde se comprovaram mais frequentes atos de tortura aplicados contra
detentos provisórios (pessoas detidas por falta de documentos, vadiagem ou
pequenos furtos) são Gênova, Turim, Treviso, Velletri, Florença, Forli,
Frosinone (a prisão onde esteve Battisti), Lecce, Livorno, Milano, Padua e
Peruggia.
Raramente se
relatou o uso de instrumentos especiais de tortura. Em geral, os tormentos
aplicados são afogamento, chutes, pancadas e impactos com objetos quaisquer
(panelas, garrafas, etc.) Os casos que conduzem a morte são investigados.
Atualmente não há, porém, nenhum incriminado.
Segundo o
informativo, "Horizontes restritos", mesmo entre os que não estão sujeitos ao
sistema 41-bis, o índice de suicídios é alto. De janeiro de 2000 a março de
2009, houve 501 suicídios entre internos de todo o país. Não se sabe que
proporção corresponde a presos políticos.